Os princípios verdadeiros podem ser bem diferentes dos nossos ...

Os princípios verdadeiros pelos quais devemos viver podem ser bem divergentes dos que cremos, podendo ser sofismas inventados pelos homens: sombras da verdade ou fragmentos dela.
A identidade do homem é construída por meio de certos contextos sociais, culturais e históricos, porém o Eterno está no contexto da humanidade absolutamente. Quando atinamos com isso, passamos da morte para a vida.
Nesta página poderemos refletir e argumentar, para descobrirmos se estamos vivendo a VERDADE, essa que é absoluta e que não depende de quaisquer pontos de vista.







"Não deixe portas entreabertas. Escancare-as ou bata-as de vez. Pelos vãos, brechas e fendas passam apenas semiventos, meias verdades e muita insensatez."
Cecília Meireles

Vivemos eternamente adquirindo convicções novas e num eterno trabalho de reeducação de nós mesmos.
Mário de Andrade

domingo, 1 de maio de 2011

VERDADEIRO EVANGELHO


Mateus 7: 13 Vão aprender o que significa isto: ‘Desejo misericórdia, não sacrifícios’.
Se temos de aprender o que significa misericórdia, tenho um bom exemplo para dar.
Trata-se da minha vózinha. Ela não foi todos os domingos à igreja, não leu a bíblia durante 01 hora todos os dias, não levou os seus dízimos à ‘casa do Senhor’ todos os meses, não participou de todas as terças de oração, contudo, exerceu a misericórdia.
Saindo com o seu marido da cidade de Lins, foi para Capivari quando tinha 28 (vinte e oito anos), levando consigo 03 (três) filhos: Edevaldo, Rubens e Mislene. Foi com a cara e a coragem. Não sabia onde morariam e nem em que lugar trabalhariam.
Chegando à nova cidade, foi para a casa de seu cunhado onde ficaram até que o marido Tião conseguisse emprego e casa para morar.
Arrumaram um trabalho em fazenda, numa roça de tomate e lá foram morar em um galpão. Minha vózinha conta que quando chovia, a chuva atravessava a sua casa/galpão pelas brechas entre muro e telhado.
Lá ficaram alguns anos trabalhando arduamente. Mas a sua vida não se resumiu só a isso: trabalho pesado e criar os seus filhos.
Certo dia, ela soube de uma mãe que acabando de ter o seu filho, não o queria e procurava alguém que o quisesse. Apesar de ficar receosa, Tião pegou essa criança, a primeira de outras, e adotaram-no como se seu fosse. 
Mas neste mundo, o que mais existe, são pessoas que necessitam de amparo e ajuda e, então, tempos depois, tomaram conhecimento de FULANA que com “problema no pulmão” foi internada no hospital e quando teve alta, ao voltar para casa, deparou-se com o marido que tinha uma nova mulher.
A FULANA, que se sentiu abandona, arrumou um novo namorado de quem engravidou. Acontece que o mundo dá voltas, e o ex-marido da FULANA quis a reconciliação. Juntamente com o retorno surgiu um impasse: ele queria somente ela, e não o filho dela que era fruto de um breve namoro. Ela, pensando em si mesma e no sentimento que tinha pelo ex-marido, decidiu se “desfazer” do filho assim que ele nasceu.
Minha vózinha não teve como ouvir essa história sem se compadecer dessa criança, quando então ela adotou mais esse menininho e o criou como se seu fosse.
Continuando a sua vida, agora não eram apenas os 05 (cinco) que vieram de Lins, a família cresceu e já eram 07 (sete).
Acontece que, onde vivem 07 é possível acolher mais alguém. E foi o que aconteceu.
Minha vózinha soube que uma mãe que, não querendo a sua filha, deixou-a com uma senhora dizendo que certa mulher iria buscá-la para a adoção.
Esta mulher não apareceu, e a senhora passou a procurar alguém para ficar com esse bebê. Não apenas quem levasse a criança, mas também, que a ressarcisse pelos gastos que tinha tido até então com fraudas, leite etc.
Nessa época, o Tião trabalhava como auxiliar em uma padaria juntamente com o tio Deva, já a minha vó, cortava cana. Por causa da pouca renda, foi necessário fazer um empréstimo na quantia que a senhora havia solicitado para entregar a criança.
Ela conta que pagou por volta de 400 (quatrocentos) reais e que hoje, essa filha vale bem mais que um milhão de reais.
 Tempo depois, soube de uma criança cuja mãe falecera 15 (quinze) dias depois do seu nascimento e o pai, já não a queria mais por isso. Minha vózinha não teve dúvidas, e pegou essa criança também, que passou a ser sua filha desde o instante em que a segurou no colo.
A história, não para por aqui.
Minha vózinha tomou conhecimento de um caso no qual um pai havia morrido. A mãe ficou com 06 (seis) crianças sem ter condições de cuidar e estava doando seus filhos. Compadecendo-se delas, ficou com 02 (duas) das 06 (seis) crianças. Cuidou das duas como se suas fossem, dando-lhes amor, cuidado, educação e sustento.
Como o mundo está cheio de problemas, desamparo, fome, egoísmo etc. basta olhar ao nosso redor que nos deparamos com um número incontável de necessitados.
A minha vózinha encontrou mais um precisando de acolhida. Mais um menininho cuja mãe passando fome, não tendo como cuidar, começou a procurar quem o quisesse. Achou a minha vó.
Mas, em casa que cabe 12 pessoas, comporta 13, e a minha vózinha adotou mais uma menininha cuja mãe, muito necessitada querendo voltar para a Bahia, não quis levar a filha consigo. Fato este, inconcebível para a minha vózinha.
Essas são as crianças que a minha avó adotou como filhos, contudo, no decorrer de sua vida, recebeu pessoas em sua casa que não tinha para onde ir. Conheço a história da Fátima que a mãe tendo morrido, o pai se casou de novo e a madrasta não a queria em casa. Ela viveu alguns anos na casa de minha avó.
Ao perguntar para a minha vó se ela por 01 (um) segundo sequer se arrependeu do que fez, ela responde com firmeza que não.
Perguntei também se faltou alguma coisa a eles. Ela diz que arroz e feijão, graças a Deus, nunca faltaram. O que faltou foi pão, leite, mistura.
Um dia eu tive um sonho na casa da fazenda em que eu estava com um moço agricultor, cujas unhas estavam sujas de terra.
Hoje eu vivo com a minha vó que sempre está com as mãos sujas de terra. Como está velhinha e não pode adotar outras crianças, já que as limitações físicas a impedem, ela se apaixonou por cuidar das flores e plantas que cultiva na sua casa.
Quanto ao meu sonho com o agricultor, uma grande amiga do meu coração, disse que ele era Jesus e que as unhas sujas de terra representavam a simplicidade de Cristo.
Minha vózinha não é estudada, não é rica, não possui algo que esse mundo aprecie, porém, com a sua simplicidade, ela tem muito a ensinar as pessoas sobre o cristianismo.
Todas as vezes que a vejo entrando em casa com as unhas sujas de terra, eu me lembro do meu sonho, recordo–me de Jesus e de sua simplicidade, penso que tenho muito a aprender com a minha avó e do tanto que os valores de Cristo são contrários aos desse mundo.
Que lição para mim! Se ela tivesse olhado as circunstancias a sua volta, sua condição financeira ou outras coisas, ela não teria feito o que fez. Todavia, ela confiou que Deus não deixaria faltar nada a ela e aos seus 11 filhos. E Deus é fiel!
Uma particularidade de sua vida também vale a pena ser contada. Ela tem a sua casa própria. Esta foi adquirida com muito esforço. Tendo feita a inscrição para obter uma casa popular, houve reuniões as quais foi obrigatória a participação.
A minha vó saia da casa na fazenda, pegava a estrada de terra com canavial dos 02 (dois) lados e caminhava sob a luz da lua cerca de 15 km para comparecer às reuniões. Ela conta que quando sentia medo ou percebia a vinda de algum carro, ela entrava no meio do canavial e lá ficava até passar.
São muitas histórias que ela tem para contar.
Quando ela morava na fazenda, tinha uma televisão em sua casa aonde todos os moradores da fazenda iam ao fim do dia para assistir à novela “irmãos coragem”.
Sempre gostou de receber em sua casa, olhou para o próximo com compaixão, exerceu o cristianismo repartindo o que possuía.
A sua contribuição está dada. Não apenas eu penso isso, como também todos os seus filhos, sejam os adotivos ou os naturais. Para ela são todos iguais. Receberam o mesmo amor.

 CRISTINA GARCIA



                                                      VÓZINHA

Um comentário:

  1. Que Linda História de Vida.


    De:Heilane Goulart Costa.

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