Os princípios verdadeiros podem ser bem diferentes dos nossos ...

Os princípios verdadeiros pelos quais devemos viver podem ser bem divergentes dos que cremos, podendo ser sofismas inventados pelos homens: sombras da verdade ou fragmentos dela.
A identidade do homem é construída por meio de certos contextos sociais, culturais e históricos, porém o Eterno está no contexto da humanidade absolutamente. Quando atinamos com isso, passamos da morte para a vida.
Nesta página poderemos refletir e argumentar, para descobrirmos se estamos vivendo a VERDADE, essa que é absoluta e que não depende de quaisquer pontos de vista.







"Não deixe portas entreabertas. Escancare-as ou bata-as de vez. Pelos vãos, brechas e fendas passam apenas semiventos, meias verdades e muita insensatez."
Cecília Meireles

Vivemos eternamente adquirindo convicções novas e num eterno trabalho de reeducação de nós mesmos.
Mário de Andrade

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Agora, falando sobre a minha identidade.

            Sou a terceira filha de uma família de quatro irmãos: única mulher, controlada por três irmãos.

Minha mãe conta que dei muito trabalho pra nascer. Ela disse que passou os nove meses de cama, pois quase sofreu um aborto. Apesar de muito apressadinha, desde o ventre, lutei bastante pra viver.

Nasci no Hospital Ana Cintra em Amparo, interior de São Paulo. Aos dois anos, meus pais se mudaram pra Barretos – meu pai era bancário e sempre mudava de cidade. Minha mãe não trabalhava.

Sou neta de italianos por parte de pai (os dois avós eram italianos) e descendente de portugueses por parte de minha mãe. Não sei dizer se sou neta, bisneta ou tataraneta de portugueses. O que sei é que eles eram judeus novos por causa do sobrenome Oliveira e Lima. Meus avô e bisavô eram maçons, donos de cartório em Ituverava e São Joaquim da Barra. Ambos morreram cedo e minha mãe teve de estudar em internato. Pouco sei dos meus avós italianos. Meu avõ paterno era dono de uma loja de material de construção.

            Pelo fato de minha mãe quase ter me perdido quando era gestante, ela fez uma promessa a “nossa senhora de Aparecida”, a fim de que sua gestação chegasse a termo.

Então, ao nascer, em abril de 1958, recebi o nome de Maria Aparecida de Lima Tomazelli e apelidada, dizem, por mim mesma, de Cidoca. Hoje, Sidoaka.

Aos cinco anos me mudei pra Vitória no Espírito, pois meu pai fundou a primeira agência do Banespa desse estado.

Em Vitória, estudei no Colégio Sacré Coeur de Marie (Sagrado Coração de Maria). Entrei um pouco atrasada, já com sete anos, pois meus pais optaram por me colocarem direto na 1ª Série do primário. É claro que tive muita dificuldade para acompanhar a turma que já houvera sido alfabetizada na pré-escola. Chorava até não poder mais por não saber ler. Imaginem a apressadinha, aqui, sem poder ler ou escrever. Foi meu primeiro surto, rsrs... Aos trancos e barrancos, com professora particular, consegui, no fim do ano, ficar de 2ª época, mas fui aprovada para a 2ª série, ufa! Foi dessa maneira que iniciei minha vida acadêmica. Aos 10 anos, meus pais cismaram que eu necessitava aprender inglês, apesar de estudar inglês e francês na escola que, diga-se de passagem, era excelente para os padrões da época. Foi uma tragédia. Acharam que seu estava adiantada e me colocaram numa sala de adultos. Foi meu segundo surto, mas superei. Ia chorando pelo caminho de tanta vergonha, mas me esforcei e isso me valeu. De francês, me lembro de muito pouco, mesmo tendo tentado estudar na Aliança Francesa, não consigo falar quase nada. Entendo e leio.

Era tão, mas tão magra, que possuí todos os apelidos “bullying-micos” do tipo gilete de perfil, pijama de uma listra só, minhoca, pipoca, comedora de paçoca, espirro de grilo e todos os outros que dissessem respeito à magreza. Fui muito complexada até os 22 anos, porque meu peso não chegava a 40 quilos com 1,58 m. Baixinha por parte dos portugueses, mas o gênio dos italianos. Terrível! Ovelha negra da família. Hoje, sou baixinha e gorda (portuguesa) de tanto remédio pra engordar que me deram. Diga um nome e eu confirmo que tomei.

Minha mãe conta que eu repartia tudo com minhas colegas de classe e com as amiguinhas vizinhas. Voltava pra casa sem meus lápis de cor, sem estojo, não tomava lanche porque dava pros outros. Meus presentes de aniversário, de Natal e do Dia das Crianças. Minhas roupas e sapatos. Não era apegada a nada, exceto as minhas bonecas, que guardei até casar. Ela ficava muito brava, quando perguntava - onde está seu apontador? Dei, né mãe, fulaninha estava sem! E as suas canetinhas? Ah! beltraninha gostava mais do meu e eu dei pra ela! Não sei se ela entendia isso...

Cresci, ouvindo da boca de meus irmãos que eu era feia e burra. Será?

Não me considero tão feia como diziam e nem tão burra. Era loira, cabelos pela cintura, magra, de olhos verdes: quase uma modelo – hahaahahahahahahah!

Enfim, vim parar em São Paulo, capital, em 1971 com 13 anos. Estudei no Colégio Estadual Ministro Costa Manso. Cheguei, aqui, em junho, maior frio, terra da garoa, sem um único casaco. Esse foi meu terceiro surto.

Diagnosticada, só recentemente, como portadora do Distúrbio do Déficit de Atenção Hiperativo (DDAH), imagine, caro leitor, o trabalho que dei pros meus pais e professores. Minha mãe me levava ao pediatra e dizia: ela está sempre muito excitada! Com o tempo, aprendi a me controlar, mas nem tanto. Houve uma época em minha vida em que parei, entrei em depressão, com síndrome do pânico. Por três anos, ninguém me reconhecia. Ainda bem que já passou, ufa! Não desejo pro meu pior inimigo... (que, por sinal tenho muitos, pois questiono tudo). Só me concentro, quando escrevo. Sempre me pego pensando, pensando, pensando. Pra assistir a um filme, levanto umas dez vezes, sei lá pra fazer o quê! Já perdi a conta do número de vezes que deixei pessoas falando sozinhas, por perder o interesse na conversa delas. Já entendi, já sei, chega! eu penso e saio, nem percebo. Meu marido custou a entender, abro parênteses, ele é um santo, a paciência feita gente. Pobre homem! Mas ele me ama.

Voltando. Estudei no CEMCM até o 3º colegial. Fiz cursinho junto com o colégio pra recuperar o tempo perdido, pois tive de fazer um tal de 5º ano no colégio das freiras (bobas, elas não são, é mais um ano de pagamento). Raciocine comigo, só eu havia cursado esse 5º ano aqui em São Paulo. Ninguém me entendia. Entrei na 2ª série do ginásio que virou 6ª série, logo, fiz duas vezes a tal da 5ª série sem ter sido reprovada?! Consegue entender?

Queria cursar Farmácia e Bioquímica e bem no ano que era pra eu prestar vestibular, começou o tal exame da FUVEST. Inaugurei e não passei. Passei em engenharia química na FEI, conhece? Não queira. Fiquei em DP 5 vezes em termodinâmica, só termodinâmica. Quarto surto! Poderia ter cursado no Mackenzie, mas já havia gastado o dinheiro da matrícula na FEI. Por sorte, conheci meu marido lá. Foi a única coisa boa. Entrei em crise: Como? Eu, uma ótima aluna, estudiosa, distraída sim, mas muito estudiosa, poderia ir tão mal numa única matéria? É aí que entra o plano de Deus! Conheci a Jesus Cristo por causa da termodinâmica.

Um cara se aproximou de mim, eu odiava os feianos, que diziam que as mulheres feias faziam engenharia pra arrumar casamento. Não era o meu caso, modéstia à parte, mas não estava lá pra isso. Entretanto, o cara insistiu e quis conversar comigo a respeito da nota da prova. Eu descambei a falar, sem parar, coisas sem nexo, com muita raiva daquela faculdade. Contudo, ele, com toda a paciência do mundo, sua grande virtude, me perguntou, por que eu era tão revoltada. Quase soltando fumaça pelas ventanas, respondi: ninguém me entende!!! E ele – ninguém me entende, também, por que sou cristão. Cristão, eu perguntei. O que é isso? Jamais soube o que era ser cristão até aquela data, mesmo tendo estudado em colégio de freira, feito 1ª comunhão e ido à missa algumas vezes. Nunca havia visto uma Bíblia, quanto mais lido! E foi assim que, aquela ovelhinha negra, beeeemmmm negra, conheceu o Caminho.

Fumava como louca, bebia, me vestia como “bicho grilo”, havia tentado suicídio no ano anterior, nunca pensei em Deus, nunca O procurei, mas Ele veio até mim. Deus nos conhece muito bem! Era outubro de 1978.

Ganhei uma Bíblia e li os evangelhos em uma semana. O novo testamento em um mês. A Bíblia inteira em seis meses, com todas as dúvidas anotadas e, devidamente, respondidas por nada mais nada menos do que meu futuro marido. Melhor discipulador que já existiu na face da terra! E não pense, você, que namorávamos. Ele já possuía uma namorada e dizia-se, apaixonado por ela. Tirei meu time de campo o mais rápido que pude. Ele sumiu. Só foi reaparecer em novembro de 1979, lá na fazenda do meu tio em Igarapava. Conhece? Duvido. Achei estranho, não dei bola. Será?

Nessa época, estava pra prestar FUVEST, novamente, pois, como era de se esperar, saí da FEI, graças a Deus!

Queria biologia dessa vez, mas entrei em biomédicas em Ribeirão Preto.  Deus me enviou numa missão até lá, só entendi depois. A USP entrou em greve por um ano e eu voltei pra SP pra fazer cursinho de novo. Você já deve estar pensando – essa pessoa não termina o que começa. Não é verdade. Em maio de 1980, fazendo cursinho pela terceira vez, comecei a namorar meu marido – que terminou comigo no fim do ano. Pode? Na época do vestibular. Quinto surto.

Graças a Deus, só a ele mesmo! Entrei em Nutrição, 20 vagas, paramédicas 80 – passei em 11º lugar. Nem acreditei. Tirei dez na redação! Não estava com a menor cabeça pra prestar vestibular.

Eu já havia me tornado o falatório da família – iria me formar em cursinho e vestibular. Calei a boca da família! Meus irmãos não poderiam mais me chamar de burra. Só de feia.

Voltei a namorar o Ulisses e nos casamos em outubro de 1982. Passei a ser Sabará. Engravidei e tive de parar a faculdade dos meus sonhos no fim do 3º ano. Só faltava um! Mas preferi cuidar do Filipe e depois do Samuel e depois do André. Não conseguiria voltar. Agora, sim, leitor, você pode dizer – ela não termina o que começa. Porém, não é verdade.

Como sempre faço tudo diferente, não sendo nada convencional ou protocolar (se necessário vou à frente da igreja pra pedir perdão, até, pelo que não fiz), não coloquei meus filhos na escola. Eu os ensinei em casa, método “Home Schooling”. Foi pra isso todo o inglês!

Como foi muito desgastante dar aula pra três meninos em inglês, quando o mais velho estava com 12 anos, foram pra escola. Nessa escola também dei aula, mas não pude continuar por não ter graduação em Letras. Então, obviamente, encarei o desafio e fui estudar novamente. Entrei numa faculdade qualquer, mas que no fim foi maravilhosa, por causa do meu esforço e pelo valor dos professores. Estudei na Universidade São Marcos – USM (só trocar o P pelo M).

Assim, passei a dar aulas, enquanto estudava, a cuidar dos filhos (em todos os sentidos), tudo isso misturado com um ministério na igreja que participei por 30 anos como membro fundador. Adivinha se me expulsaram dela? (Possuía antecedentes e era reincidente). Lógico, não declaradamente, mas, sim, não me aguentaram lá. Ainda bem! Sou livre, hoje, para escrever o que penso. Sexto surto.

Não parando por aí. Terminei o curso de graduação, cursei uma pós em Análise do Discurso (Minha dissertação: A Construção da Identidade da Personagem no Discurso Poético). Em seguida, encarei o Mestrado em Comunicação e Letras (Minha dissertação: Poesia Concreta: A Reintegração do Poema na Vida Cotidiana pelo Discurso Publicitário), nota dez com louvor! Fiz mais uma dezena de cursos aqui e ali. Acho que, agora, vou cursar História, por incentivo dos filhos. Quem sabe abrir uma ONG... Deus é quem sabe.

Sempre gostei de Filosofia, de História e de Literatura. Estudo Filosofia, desde os 15 anos, por conta própria, História desde sempre e Literatura desde 1996 e a Bíblia desde 1978. Abomino Teologia (essa barata e consumista, cujos teólogos são mal resolvidos e se acham), Deus não se estuda, Deus tem de ser conhecido pessoal e individualmente. Terminei a Graduação em 2000, a Pós em 2001 e o Mestrado em 2004. Cursei Inglês desde sempre, com certificado em proficiência em 1998. Cursei espanhol, italiano e grego clássico, sendo que minha paixão é o grego. Amo a Grécia e os gregos, eu devo ter grego no sangue. Algum dos meus antepassados romanos devem ter se casado com um escravo grego, quem sabe um filósofo especulador - como diz o Ulisses - você tem uma mente investigativa, quer saber o por quê de tudo!

Portanto, caríssimo leitor, eu termino, sim, o que começo. Encaro os desafios e só daria conta de fazer tudo o que faço, e fiz, por possuir DDAH.

Deus é perfeito, bem humorado e criativo, lógico, Ele é Deus. Eu dou muito trabalho pra Ele, mas Ele se diverte muito comigo e eu com Ele. Somos amigos bem chegados! Aquele tipo de amizade que só de olhar a gente se entende. Cheia de ideias mirabolantes, só desisto de algo por contingência, quando Deus fala - Chega, Sidoakinha, você não percebeu, ainda, que não é por aí. Como sou teimosa, ainda bem que meu Pai me corrige!!!

Nada acontece por acaso. Convicta de quem eu sou, faço minhas críticas e colocações com muita ênfase, tanta, que isso assusta quem não me conhece muito bem e podem, até, pensar que não sou sensível. Como Analista do Discurso, questiono tudo, embora sempre tenha sido rebelde, como diz minha mãe. Meu pai já faleceu há algum tempo, não pode dizer mais nada. Meus filhos sempre dizem. Meu santo marido, releva: quanto amor!

Atualmente, possuo duas norinhas e mais uma pela fé. Finalmente tenho filhas! Só homem cansa...rsrs.

Esse é o resumo da minha história e da minha identidade. Impossível descrever 53 anos de vida numas poucas páginas, mas deu pra perceber que, por causa da minha personalidade, possuo muitos amigos e alguns inimigos.

É a vida! Sétimo e último surto, vou muito bem, obrigada. rsrs...

8 comentários:

  1. Posso não ser considerada amiga, inimiga, com certeza não sou, mas admiradora sua, sempre. Rosana.

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  2. Gostei muito Sogronis =)

    Surtos agora?? No máximo uma canelite !

    bjão

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  3. Caracas... você é o "cara".

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  4. Que biografia maravilhosa! Só tendo Deus no negócio para ser tão admirável. É isso o que eu acho da sua identidade: ADMIRÁVEL, LINDA, MODELO para pessoa nenhuma colocar defeito, exceto os loucos!
    Tenho o privelégio de ser sua amiga, admiradora, fã e tudo o mais!
    Isso é verdadeiro presente de Deus para mim!
    Bjo

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Cidoca, simplesmente ANIMALLLL!!!!! hahah desculpe o modo de falar, mas não achei outra palavra.
    Você é uma grande amiga, passamos por momentos de Deus juntas, momentos que fui extremamente abençoada por você e cresci muito com Deus. OBRIGADA!!!!
    Beijos

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  7. Em tempo: não cursarei história, mas pedagogia se passar na FUVEST e abri uma ONG que está funcionando a todo vapor. De 2 de maio até agora, muita coisa aconteceu...

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