Os princípios verdadeiros podem ser bem diferentes dos nossos ...

Os princípios verdadeiros pelos quais devemos viver podem ser bem divergentes dos que cremos, podendo ser sofismas inventados pelos homens: sombras da verdade ou fragmentos dela.
A identidade do homem é construída por meio de certos contextos sociais, culturais e históricos, porém o Eterno está no contexto da humanidade absolutamente. Quando atinamos com isso, passamos da morte para a vida.
Nesta página poderemos refletir e argumentar, para descobrirmos se estamos vivendo a VERDADE, essa que é absoluta e que não depende de quaisquer pontos de vista.







"Não deixe portas entreabertas. Escancare-as ou bata-as de vez. Pelos vãos, brechas e fendas passam apenas semiventos, meias verdades e muita insensatez."
Cecília Meireles

Vivemos eternamente adquirindo convicções novas e num eterno trabalho de reeducação de nós mesmos.
Mário de Andrade

terça-feira, 15 de março de 2011

Panis et Circenses

Ao estudar o teatro grego descobri algumas coincidências com algo que vemos atualmente.
Um breve resumo da história do teatro poderá esclarecer aonde quero chegar:
O teatro grego teve início com as festas dionisíacas (Dionísio ou Baco, deus do vinho, das festas e da fertilidade). Nessa festa, os jovens dançavam e cantavam num tipo de procissão, chamada ditirambo, oferecendo vinho. Mais tarde o “ditirambo” evoluiu, tinha um coro formado por coreutas e pelo corifeu; eles cantavam, dançavam, contavam histórias e mitos relacionados aos deuses. Essas festas terminavam em orgias. A dança surgiu, praticamente, junto com a humanidade, tendo, no princípio, um aspecto mágico, quase irracional, e constituindo-se como uma forma de contato com o sobrenatural. A dança evoluiu, posteriormente para rituais religiosos, que, ainda, mantinham o aspecto mágico.
Não se pode precisar, claramente, a origem da dança teatral. Sabe-se que no Império Romano ocorria espetáculos variados em que se apresentavam dançarinos, mas acredita-se que suas apresentações se davam em tal formato que, hoje, as consideraríamos como apresentações circenses com acrobatas e saltimbancos.
No Egito havia danças sacras em homenagem a ÁPIS, o “touro sagrado”, diante de HAT HOR a deusa da dança e da música. Percebemos aqui a linguagem gestual da dança diretamente ligada às marcações rítmicas da música, passando a ser denominada, essa junção, de ritual.
Com o surgimento da civilização egípcia, os pequenos ritos tornaram-se grandes rituais formalizados e baseados em mitos. Cada mito conta como uma realidade veio a existir. Os mitos possuíam regras de acordo com o que propunha o estado e a religião, eram apenas a história do mito em ação, ou seja, em movimento. Estes rituais propagavam as tradições e serviam para o divertimento e a honra dos nobres.
 Os gregos foram influenciados pelos egípcios nas suas representações. Com a mitologia grega o teatro não poderia se revelar de maneira muito diferente.
 Na época clássica foram construídos diversos teatros ao ar livre. Eram aproveitadas montanhas e colinas de pedra para servirem de suporte para as arquibancadas. A acústica era perfeita, de tal forma que a pessoa sentada na última fileira (parte superior) podia ouvir tão bem a voz dos atores, quanto quem estivesse sentado na primeira fileira. Tive oportunidade de conferir quando visitei um em Chipre. Realmente perfeito, mesmo estando desgastado pelo tempo.
Nas representações os atores usavam máscaras e túnicas de acordo com a personagem. A palavra personagem, por sua vez, deriva de persona que significa máscara.
Muitas vezes, eram montados cenários bem decorados para dar maior realismo à peça. Os temas mais comuns nas peças teatrais gregas eram tragédias relacionadas a fatos cotidianos, problemas emocionais e psicológicos, lendas e mitos, homenagem aos deuses, fatos heroicos e críticas humorísticas aos políticos. Os atores, além das máscaras, utilizavam muito os recursos da mímica. Muitas vezes a peça era acompanhada por músicas reproduzidas por um coral.
O próprio significado da palavra teatro tem referência a sua forma física original que podemos traduzir como: contemplo, vejo, visão por onde se vê um espetáculo.
Sua tradição foi, depois, herdada pelos romanos, que a levaram até as suas mais distantes províncias e é uma referência fundamental na cultura do ocidente até os dias de hoje.
Na Roma antiga existiam grandes anfiteatros com camarotes e arquibancadas onde se realizavam jogos e espetáculos públicos; o teatro também possuía o nome de circo.
Hoje, um dos significados é falsa realidade, aparência vã; ilusão, miragem
 fingimento, hipocrisia que se exterioriza com dramaticidade.
Concluindo, as peças gregas faziam parte de um festival religioso e, as romanas, espetáculos com jogos.
Terminada a explanação, vamos às comparações.
Observe o modelo:



As igrejas possuem esse modelo?
As igrejas têm palco?
As igrejas possuem coral?
O povo ou os líderes vestem uma máscara de santo durante o culto?
Os cantores fazem caretas e poses (mímicas) durante o louvor? Gostam de aparecer?
Existe um lugar para a orquestra ou grupo de louvor?
Existem assentos especiais para os pastores ou líderes?
Existe uma entrada e saída especial para os atores (pastores)?
O ator (pastor) usa uma toga especial?
Existe um lugar para os dançarinos?
São representadas peças?
A acústica é perfeita, usando o microfone e todos podem ouvir?
Existe liturgia?
O culto é um espetáculo?
Existe uma plateia passiva?
Existe um ritual que apela para a emoção? Catarse?
É uma tragédia ou uma comédia?

Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência...














 

Um comentário:

  1. Fiquei passada! Conclusão nada confortavel... beijos, Cris

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